A Inteligência das Mãos (E-BOOK GRATUITO)

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O artesão e a artesã aparecem, no fim, como mediadores. Entre passado e futuro, entre natureza e cultura, entre o que se herdou e o que ainda se pode inventar sem trair essa herança. Em suas mãos, a matéria
vira conhecimento compartilhado, o trabalho vira memória coletiva, e o território encontra um jeito de contar a si mesmo através de cada gesto que continua sendo feito.
É com essa mão, de volta ao ponto de onde este texto partiu, que o livro começa a se abrir, um livro de ensaios que pretende pensar o saber e o fazer tradicional e artesanal como aquilo que sempre foram:
uma inteligência.

Sonia Maria Chaves Haracemiv
Julio Cesar Ponciano

Descrição

Há quem pense a aprendizagem não como acúmulo de informação, mas como educação da atenção: aprender a perceber o que importa num ambiente, junto de quem já sabe olhar. Há quem pense o conhecimento como ecologia, não como pirâmide, reconhecendo que saberes populares, científicos e tradicionais podem dialogar sem que um precise anular o outro, e que ecologizar não significa somar diferenças, mas relacioná-las com justiça. Há quem tenha mostrado que a imaginação também é material, que a mão, diante do barro ou da água, não apenas executa uma ideia pronta, mas descobre, no próprio contato com a matéria, formas que o pensamento sozinho não alcançaria. E há quem tenha ensinado que toda pedagogia séria precisa perguntar quem decide o que conta como saber, que vozes ficam de fora do currículo, que humanidade se pretende formar quando se ensina. Este livro não pretende expor e esgotar esses pensamentos em profundidade. Eles aparecem aqui como companhia, como lastro, como prova de que a experiência caiçara do fazer não é caso isolado, mas parte de uma conversa mais ampla sobre como se aprende, como se resiste, e como se pode pensar o mundo a partir do que as mãos já sabem antes de qualquer palavra. No fundo, tudo o que passou por este texto, o gesto, o deslocamento da pergunta, a ferida, a resistência, o pensamento que a acompanha, converge para uma única questão, mais simples de enunciar do que de responder: como se aprende a habitar um lugar assim, e o que acontece quando esse aprendizado é interrompido? Ninguém nasce sabendo ler o mar ou reconhecer a lua certa para o corte da madeira. Isso se transmite, e se transmite de um jeito particular: por presença, por observação, por tentativa e correção, por uma criança que acompanha muito antes de assumir qualquer tarefa, por um mais velho que aponta sem precisar explicar tudo. Essa transmissão depende de gente por perto, de tempo disponível, de um território que ainda permita o encontro entre quem sabe e quem está aprendendo. Quando qualquer uma dessas condições falta, o aprendizado não desaparece de uma vez, mas começa a perder chão. É por isso que educação, aqui, não significa apenas escola. Significa também rancho, oficina, beira da água, quintal onde se trançam fibras, ou uma casa de farinha onde se rala e torra a mandioca recém-colhida, enquanto se contam histórias. Significa perguntar não só o que uma comunidade sabe, mas como alguém, dentro dela, vai se tornando capaz de perceber o que uma prática exige. E significa reconhecer que esse processo é frágil, que pode ser fortalecido ou interrompido conforme o mundo ao redor trata esse território como digno de continuar existindo ou não.

Autores

  • Pós-Doutora em Educação, Professora do Setor de Educação, Departamento de Teoria e Prática de Ensino e dos Programas de Pós-graduação em Educação PPGE e PPGETPEN da UFPR.

  • Antropólogo - Graduado e Licenciado em Ciências Sociais (UFPR) - Mestre em Antropologia Social (UFPR) - Especialista em Gestão Ambiental (UFPR) - Doutorando em Educação (UFPR)

    Trajetória profissional dedicada à defesa de Direitos Humanos com Atuação em Conselhos de Direitos e Movimentos Sociais  – Atuou como Coordenador Pedagógico PUC – Grupo Marista em Guaraqueçaba - PR

    Escritor - Fotógrafo - Consultor Educacional

    Atualmente desenvolve pesquisa sobre processos educativos territoriais em contextos das Comunidades Tradicionais no Litoral do Paraná - Escolas do Campo, das Águas e das Florestas - Aliança dos Povos Tradicionais da Mata Atlântica.

Informação adicional

Versão

Impressa, Digital

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